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Grupo Estado Islâmico

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Estado Islâmico anuncia novo líder e pede vingança

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Exército americano divulgou imagens da operação militar na Síria que resultou na morte do chefe do grupo Estado Islâmico, Abou Bakr al-Baghdadi. Reuters

O grupo Estado Islâmico (EI) confirmou nesta quinta-feira (31) a morte de seu líder, Abu Bakr al-Baghdadi, em uma operação americana na Síria, cinco dias após o anúncio feito pelo presidente americano Donald Trump.  A organização radical também nomeou um sucessor e ameaçou os Estados Unidos de represálias.


Em uma mensagem de áudio publicada no aplicativo Telegram, o EI lamentou a morte de seu chefe. "Ó muçulmanos, ó mujahidin, soldados do EI, lamentamos a morte do comandante dos crentes Abu Bakr al-Baghdadi", disse Abu Hamza Al-Qourachi, apresentado como o novo porta-voz da organização extremista.

O grupo jihadista também confirmou a morte, em outro ataque, de seu ex-porta-voz, Abu al-Hassan al-Muhajir, considerado o braço direito de Abu Bakr al-Baghdadi.

O novo califa

O grupo Estado Islâmico acrescentou que a "Majlis al-Shura (a Assembléia Consultiva, em árabe) prometeu lealdade a Abu Ibrahim al-Hashemi al-Qurachi, apresentado como "comandante dos crentes "e o novo "califa dos muçulmanos".

A morte de Abu Bakr al-Baghdadi foi anunciada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, no domingo (27). Em pronunciamento na Casa Branca, Trump acrescentou que as forças americanas haviam executado o homem responsável por várias atrocidades e ataques sangrentos no Iraque e na Síria.

Na quarta-feira (30), o Pentágono divulgou diversas fotos e vídeos em que é possível ver uma dúzia de soldados se aproximando do complexo onde estava escondido o líder jihadista, no noroeste da Síria.

Cercado pelas forças americanas, refugiado em um túnel cavado para sua proteção, o líder do EI acionou seu colete de explosivos.

"Ele morreu como um cachorro", enfatizou Donald Trump em seu pronunciamento.

Na gravação de áudio de 7 minutos, a organização jihadista pediu vingança pela morte de Abu Bakr al-Baghdadi, ameaçando especificamente os Estados Unidos de retaliação.

Alerta para represálias

Desde que se autoproclamou, em 2014, "califa" de um território que contava com 7 milhões de habitantes, abrangendo o Iraque e a Síria, o líder do grupo jihadista havia se tornado o homem mais procurado do mundo.

Sua morte fora anunciada várias vezes, em falsas notícias. Todas as tentativas de eliminar o iraquiano, de 48 anos, haviam fracassado, pois o imã vivia nas sombras.

Seu sucessor herdou um movimento jihadista que, após a queda de seu "califado", em março, e outras derrotas militares, se multiplica em muitas células clandestinas na Síria e no Iraque.

Segundo Russ Travers, diretor interino do Centro Nacional Antiterrorista, órgão que supervisiona a luta contra o terrorismo nos Estados Unidos, o novo líder jihadista poderá dar ordens a cerca de 14 mil combatentes espalhados na Síria e no Iraque. Abu Ibrahim al-Hashemi al-Qurachi também poderá se aproximar do atual líder da Al-Qaeda, o egípcio Ayman al-Zawahiri.

Parceiras de Washington durante os anos de combate aos jihadistas do EI, as forças curdas na Síria também disseram temer represálias do grupo terrorista após a morte de Abu Bakr al-Baghdadi.

"Tudo é esperado, incluindo ataques às prisões", disse Mazloum Abdi, comandante-chefe das Forças Democráticas da Síria (SDF), referindo-se aos centros administrados pelos curdos que abrigam milhares de jihadistas.