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Deputados árabes de Israel fazem greve de fome contra violência e inação da polícia

Os líderes árabes de Israel estão em greve de fome. O protesto, iniciado no domingo (3), visa denunciar o aumento da violência nas cidades israelenses de maioria árabe e a inação da polícia.

Daniela Kresh, correspondente da RFI em Israel

A liderança da minoria árabe de Israel, em greve de fome de três dias, está acampada em frente ao escritório do primeiro-ministro, em Jerusalém. O objetivo é chamar a atenção para o aumento da violência nas cidades árabes dentro de Israel.

Um em cada cinco israelenses é árabe, o que contraria a noção de que, em Israel, só há judeus. Na verdade, 25% por cento dos israelenses não são judeus, sendo que 20% são árabes.

Desde o começo deste ano, houve 80 assassinatos com armas de fogo nessas cidades e estima-se que, entre os quase 2 milhões de árabes-israelenses haja meio milhão de armas de fogo ilegais.

Há uma semana, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu anunciou a formação de um comitê de combate à violência, mas a medida não parece ter sido suficiente.

Críticas à ação da polícia

A minoria árabe reclama da insegurança e impunidade. Alega que as forças de segurança em Israel não se esforçam para combater a criminalidade e confiscar as armas de fogo ilegais. Para eles, a base dessa inação seria a discriminação.

Alguns acreditam que a polícia age de maneira mais efetiva em cidades com maioria judaica e não usa de todos os métodos possíveis em cidades de maioria árabe.

Autoridades políticas e de segurança israelenses negam essa aparente discriminação. Eles apontam a própria liderança árabe como parte do problema, já que ela não estaria fazendo o suficiente para acabar, por exemplo, com a tradição da população de atirar para o alto em casamentos ou festas em gerais.

Outro motivo seria cultural: essas cidades são controladas por clãs, que optam pela violência nas disputas por território, ou pontos de tráfico de drogas ou armas.

Especialistas afirmam, no entanto, que há uma questão social mais profunda, como a desigualdade econômica e a identificação de grande parte dessa população com os palestinos, o que dificultaria sua inserção na economia nacional.

Protestos da população

Dezenas de moradores do vilarejo de Tel Sheva, de beduínos árabes, saíram às ruas nessa segunda-feira (4) para protestar contra a indiferença da polícia em relação à violência local.

Dois homens foram assassinados nesta segunda-feira no vilarejo, dentro de um carro. O crime teria sido um acerto de contas entre criminosos de duas gangues locais. A polícia afirmou estar investigando os assassinatos, mas os manifestantes reclamam da impunidade em casos como esse.

Houve confrontos entre moradores e policiais que foram ao local investigar o crime e controlar o protesto.

Crise diplomática entre Israel e Jordânia

Israel e Jordânia chegaram, nessa segunda-feira, a um acordo para pôr fim a mais recente crise diplomática entre os dois países. O governo israelense vai libertar dois jordanianos detidos há dois meses no país até o fim desta semana. Em troca, o embaixador jordaniano, que havia sido chamado de volta por Amã em protestos contra as detenções, volta a Israel.

Os dois jordanianos, de origem palestina, foram presos há dois meses quando estavam em visita à Cisjordânia por suspeita de terrorismo e ligação com a guerrilha libanesa Hezbollah. Um dos dois detidos é uma jovem muito ativa em redes sociais.

A crise diplomática provocou diversos protestos populares em Amã e ameaçou as relações bilaterais entre os dois países, que firmaram um acordo de paz há 25 anos, mas mantêm uma espécie de “paz fria”.

Paralelamente, continua a já conhecida tensão entre israelenses e palestinos na Cisjordânia. As forças de segurança israelenses anunciaram a abertura de uma investigação após a divulgação de um vídeo mostrando um guarda de fronteira disparando uma bala de borracha nas costas de um palestino.

O incidente aconteceu há mais de um ano em um posto de controle na Cisjordânia, quando o guarda pediu a um palestino para se identificar e ele se recusou. Segundo as autoridades, o guarda foi dispensado antes mesmo de o vídeo viralizar na internet.

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