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Acordo Irã Programa Nuclear

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UE e Rússia preocupados com decisão do Irã de ampliar enriquecimento de urânio

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Irã vai reiniciar o enriquecimento de urânio em central nuclear que estava inativa há quatro anos. HO / Iranian Presidency / AFP

O presidente do Irã, Hassan Rohani, anunciou nesta terça-feira (5) uma nova revisão dos compromissos assumidos com a comunidade internacional a respeito de seu programa nuclear. O país vai retomar o enriquecimento de urânio em uma central a 180 km de Teerã. A Rússia e a União Europeia estão preocupadas com a decisão que ameaça a acordo internacional.


A Comissão Europeia avalia que o futuro do acordo nuclear iraniano está cada dia mais comprometido. A França pediu que Teerã volte atrás em sua decisão de descumprir o tratado internacional.

Mais cedo, o presidente iraniano declarou que o enriquecimento de urânio na central de Fordo (180 km ao sul de Teerã) será reiniciado a partir desta quarta-feira (6). A usina estava inativa desde a entrada em vigor do acordo de Viena sobre o programa nuclear iraniano, assinado em 2015.

Como estipulado pelo tratado, o Irã armazena em Fordo 1.044 centrífugas de primeira geração IR-1, recordou o presidente em um discurso na televisão estatal. Rohani deu detalhes sobre o procedimento de injeção de gás para produzir urânio enriquecido em isótopo 235 a partir destas máquinas.

Esta é a "quarta etapa" do plano de redução de compromissos na área nuclear iniciado em maio, em resposta à saída do governo dos Estados Unidos do acordo de Viena em 2018, indicou o presidente iraniano.

Anúncio era esperado

O anúncio não é uma surpresa. Na segunda-feira (4), terminou o novo prazo de 60 dias que a República Islâmica havia dado a seus parceiros no acordo para ajudar o país a evitar as sanções restabelecidas pelos Estados Unidos. As atividades nucleares em Fordo continuarão sob controle da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), assim como as demais atividades nucleares iranianas, submetidas ao regime de inspeção mais rígido implementado por este organismo da ONU, garantem as autoridades do país.

O presidente iraniano estipulou um novo prazo de dois meses aos signatários do acordo de Viena (Grã-Bretanha, França, Rússia, China e Alemanha) para uma resposta aos pedidos do Irã. Caso isto não aconteça, o país reduzirá ainda mais seus compromissos.

Com o acordo, Teerã aceitou reduzir drasticamente suas atividades nucleares - para garantir seu caráter exclusivamente civil e evitar a fabricação da bomba atômica - em troca de uma suspensão das sanções internacionais que asfixiam sua economia.

A retirada dos Estados Unidos e a política de "pressão máxima" do governo do presidente Donald Trump contra Teerã privam o Irã dos benefícios econômicos que esperava obter com o acordo.

A República Islâmica afirma que deseja a manutenção do acordo e está disposta a voltar a acatar completamente seus compromissos, desde que as outras partes também o façam. Teerã quer, entre outras coisas, poder continuar a exportar o petróleo iraniano.