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Terremoto seguido de tsunami pode voltar a acontecer na Europa, diz pesquisador

Por Paloma Varón

O novo centro de alerta de tsunamis da Europa fica em Lisboa, mais precisamente no Instituto Português para o Mar e a Atmosfera (IPMA), e poderá detectar qualquer terremoto atingindo a região e enviar as informações relevantes às autoridades portuguesas, permitindo que regiões em risco sejam evacuadas.

O centro integra a rede do Atlântico Norte e tem atuação limitada a Portugal e países próximos, como Marrocos, Espanha, França, Inglaterra e Irlanda, e vai trabalhar em parceria com os outros quatro centros da região, localizados na Turquia, na Grécia, na Itália e na França.

Fernando Carrilho, chefe de Divisão de Geofísica do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), fala mais sobre o centro, que faz parte de uma rede na Unesco.

“Trata-se de um centro de monitoramento de eventos sísmicos que tenham potencial para provocar um tsunami. Na fase atual, é um centro nacional, primeiramente para servir a Portugal, e em seguida para servir os países do Norte Atlântico, como Marrocos, Espanha, França, Inglaterra e Irlanda, por exemplo” disse.

“ Este centro que foi inaugurado em Portugal insere-se no sistema do Atlântico Nordeste e Mediterrâneo. Já existem quatro centros operacionais na região: na Turquia, na Grécia, na Itália e na França, sendo que a França também desempenha serviços para o Atlântico Nordeste. O centro de Portugal é o quinto que estava previsto na arquitetura do sistema do Atlântico Nordeste e Mediterrâneo”, contextualizou.

Origem sísmica

Carrilho explica que a maioria dos tsunamis é causada por terremotos. “Este centro está focado nos tsunamis de origem sísmica apenas, que são os que mais acontecem."

"O centro tem três componentes principais, o primeiro é de atenção sísmica, centrado na rede sísmica nacional portuguesa, complementada com instrumentos dos países vizinhos, depois tem um componente maregráfico, que nos permite monitorar e analisar quaisquer variações no nível do mar que possam corresponder aos sinais de tsunami, e o terceiro componente de tomada de decisão, que senta num conhecimento acumulado de como os tsunamis podem se propagar caso originados por sismos em determinadas zonas”, disse.

“Quando é detectado um sismo para o qual é identificado um potencial de geração de tsunami, é emitido um alerta para vários países e depois entra-se numa fase de monitoramento, onde vamos verificar se há confirmação de tsunami ou não, com base no nível do mar”, contou.

"Condições se mantêm"

Portugal foi atingido por um devastador terremoto de 8,5 a 9 na escala Richter em 1755, que matou mais de 70 mil pessoas e provocou ondas de tsunami de até 5-6 metros de altura em Lisboa.  Há a possibilidade de que volte a acontecer nos próximos anos, mas, segundo Carrilho, é impossível prever quando.

“Não entremos numa fase alarmista. O que nos tivemos nesta zona do Atlântico foi de fato um mega acontecimento, que foi um grande terremoto seguido de um tsunami em 1755. Contudo os períodos de ocorrência são relativamente alongados, o que não significa que não possa acontecer em qualquer momento”, disse.

“Não podemos dizer que vai acontecer em um ano ou em mil anos. Sabemos que um fenômeno como o de 1755 certamente irá se repetir no futuro.”

Segundo ele, as condições para um novo terremoto gerador de um tsunami se mantêm na região.

“Os grandes sismos são causados essencialmente pela interação entre as grandes placas tectônicas. E os movimentos relativos entre estas placas tectónicas mantêm-se ao longo de dezenas de milhares de anos. O que vai acontecendo é que, no decurso deste movimento, vão sendo criadas e acumuladas tensões em grandes falhas; tensões estas que a partir de determinado momento têm de se libertar e geram os grandes sismos”, explicou.

Mecanismo de gerações de sismos continua ativo

“Portanto, as condições que ocasionaram o grande sismo de 1755 mantêm-se hoje em dia, ou seja, o mecanismo de gerações de sismos continua ativo na nossa zona. É um fenômeno na escala geológica, não é a história do homem, portanto sabemos que no futuro iremos certamente ter uma repetição de sismos como este”, acrescentou.

A placa tectônica África-Eurásia passa pela região, o que a torna vulnerável ​​a atividades sísmicas. Além disso, estima-se que mais de 130 milhões de pessoas vivam ao redor do Mediterrâneo - e mais de 230 milhões de turistas visitam a região todos os anos -, pessoas que poderiam estar potencialmente em risco se um tsunami acontecesse hoje.

Por isso especialistas e pesquisadores deste novo centro têm um grande trabalho de monitoramento e vigilância a ser desenvolvido.

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