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"Só lamento não ter feito mais vítimas", diz suspeito entrincheirado em Toulouse

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Policiais em Toulouse diante do prédio do suspeito, no bairro mergulhado no escuro. Reuters

A França aguarda, a qualquer momento, o desfecho do cerco ao suspeito de matar sete pessoas no sudoeste da França, três militares em Toulouse e Montauban, e um adulto e três crianças judias em uma escola israelita em Toulouse. O francês de origem argelina Mohammed Merah, de 23 anos, disse que se entregaria durante a noite.


A partir das 21h na França (17h em Brasília), os primeiros sinais de um ataque iminente começaram a se configurar com o aumento da movimentação diante do prédio onde o suspeito está entricheirado; um prédio vazio depois que todos os moradores foram retirados e transportados de ônibus para fora da área.

As luzes do bairro foram apagadas e uma equipe de reforço de 55 homens da unidade de elite, encapuzados e equipados com capacetes, foram colocados a postos. O corte da luz, uma estratégia preventiva, possibilita o uso de binóculos de visão noturna para acompanhar todos os gestos do homem,se ele anunciar que vai se entregar. Assim, se ele estiver com armas nas mãos ou com um cinto com explosivos, os policiais poderão entrar em ação.

Em um último esforço de negociação, dois amigos de Mohammed Merah foram levados ao imóvel para convencê-lo a se entregar. Merah está fortemente armado e, nas primeiras horas do cerco, atirou através da porta, ferindo dois policiais.

Quanto à possibilidade do jovem se matar diante de um confronto final, em uma conversa com o negociador ele  afirmou: "Não tenho a alma de um mártir, prefiro matar e ficar vivo". 

Revelações chocantes

Durante o cerco, Mohammed Merah falou muito com um mediador altamente especializado. Ele fez diversas afirmações que demonstraram seu fanatismo.

Assumindo que agiu sozinho, disse que não lamentava nada, só lamentava não ter feito mais vítimas. Ele também declarou que já tinha três ataques planejados para esta quarta-feira, cujos alvos eram dois policiais e um militar.

Sobre suas motivações, Merah telefonou para a TV France 24 para justificar seus atos, acentuou que, matando as crianças judias, queria vingar as crianças mortas em Gaza em ataques israelenses. Por outro lado, ferir a instituição francesa foi a sua intenção ao matar os militares.

O suspeito falou que tinha colocado os vídeos dos seus crimes na Internet, mas os investigadores não conseguiram encontrar nenhuma imagem. Merah tinha uma pequena câmera pendurada no pescoço durante os ataques e pode ter filmado a morte de suas vítimas.