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Brasileira muçulmana se torna exemplo de solidariedade na África do Sul

Por RFI

Com a chegada do inverno, a brasileira Beatriz Barbosa Cezar se tornou um exemplo na Cidade do Cabo quando o assunto é trabalho voluntário. A RFI acompanhou a ação de vários brasileiros na tentativa de levar um pouco de conforto aos moradores de rua da região onde moram na África do Sul.

Vinícius Assis, correspondente da RFI na África do Sul.

Nem todo mundo consegue dormir tranquilo debaixo de um cobertor sabendo que o frio pode ser mortal para quem passa as noites ao relento. Apesar do inverno na África do Sul só começar dia 21 de junho, já tem feito bastante frio na Cidade do Cabo, onde termômetros já marcam temperaturas abaixo dos 15 graus. Sem falar na habitual ventania que faz até com que as árvores cresçam inclinadas por toda a cidade.

Mas esse frio não desanimou um grupo de voluntários - a maioria brasileiros - que distribuíram 140 cobertores a moradores de rua da paradisíaca cidade sul-africana no domingo (19) à tarde. Tudo foi arrecadado em uma semana. A campanha foi divulgada em redes sociais e mobilizou, além das quase 20 pessoas que fizeram a entrega, outras - de diferentes países e religiões - que doaram cobertores ou dinheiro. Um brasileiro que mora em Johanesburgo doou 4 mil RANDS (o equivalente a R$ 1.120). O valor foi suficiente para comprar 80 cobertores.

O grupo foi liderado por Beatriz Barbosa Cezar, uma guia de turismo natural de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, que há quase sete anos mora na Cidade do Cabo. Ela fez questão de ser bem transparente. “Prestei conta de todos os cobertores doados e comprados. Entreguei as notas de todas as compras que fiz”, ressaltou.

Muçulmana, casada com um sul-africano, ela é mãe de três filho e se tornou uma referência na Cidade do Cabo quando o assunto é trabalho voluntário, principalmente entre brasileiros (estudantes de intercâmbio, moradores ou turistas). “Sempre me procuram, porque quase todo voluntariado aqui na África do Sul é pago, mas nossas ações são gratuitas. Não cobramos de ninguém. Quem quiser doar cobertores e alimentos até aceitamos, porque mantemos o projeto com nossos recursos, mas não é sempre e nem exigimos”, diz.

Ainda sobre os programas onde estrangeiros pagam para fazer boas ações na África, o que também é conhecido no continente como “volunturismo”, Beatriz diz não saber ao certo se considera uma atitude correta ou errada. “Não tenho uma opinião a respeito, porque o grupo que recebe essas visitas precisa das doações. Mas não cobramos nada de quem quer participar das nossas ações”, comenta.

Food 4 Homeless

A entrega dos cobertores no domingo foi acompanhada da distribuição de comida: arroz com lentilha, em embalagens individuais de isopor. Este trabalho começou em 2016, quando Beatriz arrecadou 100 cobertores entre amigos depois que moradores de rua bateram na porta de sua casa pedindo alguma doação. Naquele ano ela também entregou sopa junto com os cobertores. Foi como surgiu o “Food 4 Homeless”, nome dado ao projeto criado por Beatriz e outros envolvidos. De lá para cá, toda quinta-feira ela reúne um grupo de voluntários para preparar comida na cozinha da própria casa e distribuir aos moradores de rua do Sexto Distrito, bairro onde mora. Também recolhem garrafas pet e entregam água filtrada a quem dorme na rua.

O grupo percorre áreas da cidade paradisíaca que normalmente não são visitadas por turistas. Os carros da Beatriz e dos amigos dela se aproximam das mesmas áreas sempre perto do horário do almoço. Muitas vezes os sem-teto estão em barracos feitos de entulho no meio de terrenos onde o mato passa de um metro de altura. Beatriz os chama sempre do mesmo jeito: buzinando e - antes mesmo de parar o carro - gritando “Food! Come for food!”. Aos poucos eles vão surgindo. Ás vezes nesses locais há surpresas bem desagradáveis. Beatriz conta que em uma das entregas um morador disse que havia um cadáver há dias perto de onde dormiam.

A necessidade é grande, como lembra Beatriz ao falar da entrega de cobertores. “Não conseguimos ir a todos os pontos do bairro onde tem moradores de rua. Entregamos os últimos cobertores debaixo de uma ponte. Faltaram uns 20. Eu me senti muito mal por que não tínhamos para todos. Tive que selecionar. Escolhi os mais idosos e tive que explicar para o restante que voltaremos com mais”, disse. Na manhã fria do dia seguinte, vários deles circularam pelo bairro “embrulhados” nos cobertores que ganharam dos voluntários, segundo a brasileira.

Beatriz lembra que não tem atualmente nada para doar em casa. “Antigamente eu tinha sempre um cobertor a mais, uma peça de roupa, mas tudo o que tinha e o que foi coletado este ano já foi doado para as vítimas do ciclone que devastou parte de Moçambique”, disse.

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