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Michel Temer Crise Impeachment Renúncia

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Michel Temer fica, mas sem apoio político nem popular

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Michel Temer fica, mas sem apoio político nem popular Reuters

O presidente Michel Temer fica isolado no governo depois de revelação de gravações comprometedoras, que levaram à abertura de inquérito contra ele no Supremo Tribunal Federal (STF). O movimento Vem Pra Rua, partidos de oposição e centrais sindicais, como a CUT, anunciam manifestações em várias cidades do país no próximo domingo (21).


Luciana Marques, correspondente da RFI em Brasília

O presidente da República, Michel Temer, repetiu no pronunciamento desta quinta-feira (18) a fala de sua antecessora no poder: “Não renunciarei”.

O desfecho de Dilma Rousseff todos conhecem. Agora o que deve acontecer com Temer ainda é uma incógnita, apesar das crises política e econômica apontarem que a permanência dele no cargo é insustentável.

Principalmente depois que o Supremo Tribunal Federal autorizou a abertura de inquérito contra o presidente, que passou a ser investigado na Lava Jato.

O pedido foi feito pela Procuradoria-Geral da República. Em gravação que vazou nesta quarta-feira (17), Temer incentivou a compra de silêncio do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, que está preso. O presidente pediu ao STF o acesso aos áudios para tentar se defender.

Temer não renunciou, mas crescem as chances para perda do cargo. Deputados, senadores e partidores engrossaram nesta quinta-feira os pedidos de abertura de processo de impeachment ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

Cabe a ele decidir se aceita denúncia contra Temer por crime de responsabilidade. “O presidente Temer não nos deixa outra opção que não seja buscar seu o processo de afastamento”, disse o senador Ronaldo Caiado, do DEM.

O senador Alvaro Dias, do PV, avalia que a permanência de Temer agrava a crise. “É inevitável a continuidade dos processos, o penal no STF e o de impeachment no Congresso. A nação, entretanto, continuará sangrando.”

A senadora Vanessa Grazziotin, do PCdoB, disse que o governo de Temer já acabou. “Sua queda é questão de tempo”, declarou.

Se o processo de impeachment for aberto, uma comissão especial será criada – seguindo o mesmo rito do processo de Dilma Rousseff, o que pode demorar meses. Outra possibilidade é que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) casse a chapa Dilma-Temer. O julgamento será retomado no dia 6 de junho. Em caso de cassação, devem ser convocadas eleições diretas, com o voto do eleitor.

Domingo de protestos

Nas redes sociais, há vários movimentos que defendem “Diretas Já”. O grupo “Vem Pra Rua”, partidos políticos de oposição e centrais sindicais, como a CUT, anunciaram manifestações em várias cidades do país no próximo domingo (21).

Parlamentares da oposição defendem a aprovação de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) para que ocorram eleições diretas, e não indiretas, quando o novo presidente é escolhido pelo Congresso Nacional.

“O povo vai as ruas. Eleições diretas é o caminho”, disse a senadora Gleisi Hoffmann, do PT, após pronunciamento de Temer.

Também pesa contra Temer o fato de aliados começarem a anunciar saída do governo. A bancada do PSDB da Câmara defendeu a entrega de cargos.

O ministro das Cidades, Bruno Araújo, do PSDB, foi o primeiro a anunciar demissão. Outras legendas tomaram a mesma postura, como o PPS, que deve deixar a pasta da Cultura, ocupada por Roberto Freire.

Além de perder ministros, Temer também perde a governabilidade no Congresso Nacional – a tramitação das reformas, por exemplo, foi adiada diante da crise. “Não podemos retomar a rotina do Congresso como se nada tivesse acontecido”, disse o senador Caiado.

FHC defende renúncia

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi um dos que defendeu a renúncia de Temer. “Se as alegações de defesa não forem convincentes, e não basta argumentar são necessárias evidências, os implicados terão o dever moral de facilitar a solução, ainda que com gestos de renúncia. O país tem pressa. Não para salvar alguém ou estancar investigações”, declarou FHC numa rede social. Ele disse ainda que a solução para a grave crise atual deve dar-se no absoluto respeito à Constituição.

O ministro mais antigo do STF, Celso de Mello, também pediu “obediência irrestrita à Constituição”. "Mais do que nunca, neste particular momento em que o Brasil situa-se entre o seu passado e o seu futuro, os cidadãos deste país, as instituições nacionais e os membros integrantes dos Poderes do Estado devem prestar obediência irrestrita à Constituição e às leis da República como condição de preservação de nossas liberdades fundamentais e de proteção a nossos direitos!”, disse o decano.

O presidente Temer passou o dia reunido com ministros e aliados até decidir que não renunciaria. Ele cancelou toda a agenda, que previa conversas com 18 deputados e senadores, além do pastor Silas Malafaia, e do presidente do PTB na Paraíba, Wilson Santiago.