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Promotor discute futuro do caso Strauss-Kahn com a defesa

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O promotor de Nova York, Cyrus Vance, reconheceu que a camareira mentiu em seus depoimentos. REUTERS/Lucas Jackson

Dia de expectativa, em Nova York, no caso Dominique Strauss-Kahn. Deve acontecer uma reunião convocada pela promotoria com os advogados da acusação e da defesa, oficialmente para preparar a próxima audiência do caso de agressão sexual, em 18 de julho. Mas a imprensa americana especula que o encontro pode resultar em um acordo entre as partes.


Sem elementos convincentes para levar adiante o processo contra Strauss-Kahn, o promotor de Nova York, Cyrus Vance Jr., poderá tentar chegar a um acordo com a defesa. A promotoria poderia propor a retirada das acusações mais graves, como a de tentativa de estupro, em troca de Strauss-Kahn reconhecer sua culpa num delito sujeito à pena menor, como o de sequestro no quarto do hotel. Mas diante das mentiras contadas pela camareira africana, Nafissatou Diallo, a defesa está em posição de força e pode se manter intransigente, exigindo a retirada das sete acusações de agressão sexual apresentadas contra o ex-diretor do FMI.

A defesa de Strauss-Kahn trabalha com o seguinte cenário: desde os primeiros dias, os advogados Benjamin Brafman e William Taylor declararam que não havia provas de uma relação não consentida. Saindo do banho, Strauss-Kahn encontrou a camareira no quarto e eles tiveram uma rápida relação sexual, sem violência. Em seguida ela foi limpar outro quarto, como ela mesma relatou em seus depoimentos à polícia, e Strauss-Kahn deixou o hotel.

Os defensores pensam que a camareira teria retornado ao quarto para terminar a limpeza, depois de o francês já ter ido embora, e não encontrando uma gratificação pela relação sexual, como ela teria o hábito de receber de outros hóspedes, Nafissatou Diallo decidiu denunciar Strauss-Kahn por tentativa de estupro. A conversa que a promotoria gravou entre ela e o namorado, preso no Arizona, em que ela disse "não se preocupe, esse cara tem muito dinheiro, eu sei o que estou fazendo" depõe contra a camareira.

O relatório do hospital St Luke's Roosevelt, especializado em atender vítimas de agressão sexual, tornou-se o único ponto de apoio do advogado da camareira para defender sua cliente. Os médicos constataram lesões vaginais recentes e um machucado no ombro da mulher. De acordo com a descrição feita aos médicos, ela disse ter "lavado a boca" e prevenido sua hierarquia que uma mancha de sangue encontrada na cama do quarto de hotel não era dela.

Denúncia na França

Dominique Strauss-Kahn é alvo de uma nova denúncia de tentativa de estupro. A jornalista e escritora francesa Tristane Banon, de 32 anos, prestou queixa por assédio sexual num incidente que teria ocorrido em fevereiro de 2003. Na época, a jornalista preparava um livro e, segundo seu relato, Strauss-Kahn teria tentado seduzi-la à força durante um encontro agendado entre os dois para a realização de uma entrevista para o livro. O Ministério Público francês confirmou hoje ter recebido a denúncia e estar analisando o caso.