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Imprensa critica medidas de Sarkozy contra fraudes no sistema de proteção social

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Imprensa francesa desta quarta-feira critica duramente o presidente francês Nicolas Sarkozy.

As propostas do presidente francês para combater as fraudes no sistema de proteção social, que custariam aos cofres públicos cerca de 20 bilhões de euros por ano, são criticadas pelos jornais progressistas.


Para o Libération, o presidente francês vê ladrões por todos os lados e assim coloca em primeiro plano um dos temas centrais da campanha presidencial de 2012. A direita considera que o modelo de proteção social francês é assistencialista e por isso precisa ser revisto.

No entanto, o Libération argumenta que as medidas propostas pelo presidente são injustas, atingem principalmente os assalariados e as camadas desfavorecidas da sociedade, enquanto "os paraísos fiscais continuam paradisíacos", conforme afirma o editorial do Libé. Segundo o jornal, a crônica da crise econômica na França pode ser assim resumida: os ricos enriquecem mais ainda, os especuladores continuam a especular livremente e o povo paga a conta. O Libé alerta para o viés populista de Sarkozy.

O diário católico La Croix acha que combater as fraudes é normal, mesmo um dever do Estado, já que elas reduzem a arrecadação e colocam todo o sistema em perigo. Mas La Croix assinala que a moralização pública também deve valer para os mais ricos.

O comunista L'Humanité aponta cinco "mentiras" no discurso do governo. Três delas valem uma reflexão: primeiro, se comparado com outros países da Europa, os abusos no pagamento das licenças médicas na França não seriam tão escandalosos. Eles custariam 1,6% do PIB do país, contra 4,9% na Noruega, 4,6% na Holanda, 3,2% na Suíça e 2,3% no Reino Unido, de acordo com a OCDE.

O trabalho informal, também na mira de Sarkozy, seria para o L'Humanité uma falha do próprio governo, que não regulariza a situação dos imigrantes clandestinos. O jornal critica ainda as isenções fiscais concedidas pelo Estado às empresas, que custariam até 30 bilhões de euros por ano.

Nas páginas do Les Echos, o ministro francês das Finanças, François Baroin, afirma que com 0,5% de crescimento a França poderá enfrentar a crise. "O país não precisa de um terceiro plano de rigor", diz o ministro a cinco meses das presidenciais.