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Jornais questionam política de austeridade na Europa em 2015

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O badalado economista Thomas Piketty assina artigo no Libé. Universitat Pompeu Fabra/Creative Commons

Como em todo final de ano, os jornais trazem balanços com os principais eventos que marcaram a atualidade e as perspectivas para o ano que se inicia. A crise econômica na União Europeia transformou 2014 em um ano moroso, que não deixará boas recordações. As perspectivas para 2015 permanecem incertas, a começar pela situação na Grécia, mas a imprensa francesa convida os leitores a um questionamento das políticas atuais na Europa.


A Grécia terá eleições legislativas antecipadas no dia 25 de janeiro e a perspectiva de uma vitória da esquerda radical anti-austeridade cria incertezas na zona do euro. O jornal conservador de Le Figaro diz que o partido de extrema-esquerda Syriza lidera as pesquisas de intenção de voto, mas é criticado pela falta de um programa político e econômico claro. O diário observa que a crise política prolongada afugenta os turistas da Grécia, segunda maior fonte de renda do país, e atrasa a retomada do crescimento.

Porém, nem todos os jornais veem a eventual vitória da esquerda na Grécia como um risco. O respeitado Les Echos, por exemplo, nota que apesar de a Bolsa de Valores de Atenas ter despencado ontem, não houve propagação para os mercados de outras capitais europeias. O jornal considera o risco de contágio, no futuro, limitado.

O principal temor é um calote da dívida grega, mas analistas lembram que a situação em 2012 era mais grave. Na época, segundo Les Echos, os títulos da dívida grega eram detidos por bancos privados. Hoje, a maior parte dos papéis está nas mãos do Banco Central Europeu e de outros bancos públicos que podem aumentar o prazo de reembolso e afrouxar a pressão sobre os gregos.

Existe também a constatação de que após seis anos de recessão, a situação da Grécia não melhorou. Muitos questionam para que serviu tanto sacrifício, se os resultados concretos são frágeis. O diário católico La Croix afirma que muitos europeus começam a desconfiar de que outra política é possível, e não apenas na Grécia.

O badalado economista Thomas Piketty confirma essa impressão em um artigo publicado no jornal Libération. Segundo Piketty, o mais triste na crise europeia é que os atuais dirigentes do bloco insistem em apresentar as medidas de austeridade e de ajuste fiscal como as únicas possíveis, quando isso não é verdade. Piketty responsabiliza as instituições europeias pela paralisia atual. Ele chama os governos da França e da Alemanha de "hipócritas e egoístas", ao quererem impor um remédio amargo às economias menores do bloco. E convida o presidente François Hollande a propor medidas mais audaciosas para superar o impasse em 2015.