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Meio Ambiente
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Maior poluidora do mundo, China mostra avanços nas questões ambientais

Por Lúcia Müzell

Os anos de crescimento econômico acelerado da China tiveram um custo ambiental alto: o país hoje é o maior emissor de gases de efeito estufa do mundo. Para Pequim, a poluição era o preço a pagar em troca do desenvolvimento. Mas desde o ano passado, o governo chinês adotou uma nova postura em relação ao tema.

O primeiro-ministro Li Keqiang declarou “guerra contra a poluição”, um problema que se transformou em drama de saúde pública no país. A legislação para punir os poluidores e impor limites à contaminação do ar e das águas se tornou mais rigorosa. O premiê prometeu fechar 50 mil fornos a carvão e diminuir a dependência energética dessa fonte fóssil e nefasta para a natureza. Essa “tomada de consciência” recebeu elogios do presidente do Parlamento europeu, Martin Schulz, em visita a Pequim nesta semana.

Na opinião do economista Ladislau Dowbor, professor de planejamento da PUC-SP, uma das razões para explicar os avanços é a urbanização acelerada do país, que concentrou os problemas ambientais nas grandes cidades.

“Essa dependência do carvão está sendo enfrentada, de um lado, por meio da reforma do conjunto das plantas de produção de energia, para reduzir principalmente as emissões de enxofre”, explica. “O outro eixo é o avanço da energia nuclear. A China está mudando gradualmente a sua matriz energética.”

Saúde pública

O país chega a registrar níveis de poluição atmosférica 12 vezes superiores aos recomendados pela Organização Mundial da Saúde. Para Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima, foi esse transtorno cotidiano que mais impulsionou os chineses a se comprometerem com a diminuição das emissões de CO2.

“Há uma evolução, sim. Mas me parece que é uma confluência de diferentes fatores, entre eles o impacto que o modelo de desenvolvimento da China tem para a sua própria população. A questão ambiental talvez não esteja no cerne da motivação”, destaca Rittl, que acompanha as negociações climáticas internacionais. “O meio ambiente urbano e a qualidade de ar, fatores que têm implicações diretas para a saúde e indiretas até na economia do país, acabam sendo um motivador muito grande.”

Acordo bilateral

No ano passado, a China e os Estados Unidos, o primeiro e o segundo maiores poluidores mundiais, fecharam um acordo sobre redução de emissões. Enquanto os americanos prometem cortar até 28% dos gases até 2025, os chineses disseram que vão atingir o pico de poluição até 2030. Foi a primeira vez que os dois países aceitaram algum tipo de compromisso.

“Do ponto de vista político, o movimento desses dois países é extremamente relevante. Ele obriga todos os outros países, ou pelo menos todas as grandes economias, a se mexerem, neste momento em que estamos em negociações para um novo acordo climático”, afirma Rittl. “Agora, o que precisamos da China é transparência absoluta em relação aos seus planos e compromissos, e sobre de que forma esses compromissos se traduzem em emissões de gases de efeito estufa ao longo do tempo.”

Os desafios pela frente ainda são muitos, como a modernização das indústrias chinesas para modelos menos poluentes e a melhoria do tratamento das águas. Cerca de 60% dos lençóis freáticos chineses estão contaminados.

“De um lado, os avanços da China estão sendo muito sérios, porém a janela de tempo é extremamente insegura. A pressão sobre a água está aumentando muito”, observa Dowbor. “Até que ponto os chineses vão conseguir diversificar a tempo as fontes, gerar uma racionalidade do consumo da água e a redução da contaminação? Isso é um ponto de interrogação”, diz.

No ano passado, pela primeira vez em 40 anos, o setor de energia não emitiu mais gás carbônico do que no ano anterior. Segundo a Agência Internacional de Energia, o aumento do uso de energias renováveis na China é uma das principais causas para a ocorrência do fenômeno. Sozinhos, os chineses consomem a metade de todo o carvão utilizado no planeta.
 

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