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WhatsApp restringe envio de mensagens após onda de linchamentos na Índia

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Com mais de 200 milhões de usuários, a Índia é o primeiro mercado global do WhatsApp. REUTERS/Dado Ruvic/File photo

O aplicativo de mensagens instantâneas WhatsApp anunciou nesta sexta-feira (20) que limitará as conversas na Índia em sua plataforma, com o objetivo de conter a disseminação de notícias falsas, que têm causado tumultos e homicídios no país asiático.

 


Nos últimos dois meses, boatos nas redes sociais sobre a suposta presença de sequestradores de crianças causaram a morte de dezenas de pessoas, linchadas por multidões. Os incidentes tiveram um impacto tão grande na população que o governo indiano ameaçou, na semana passada, processar o aplicativo, de propriedade do Facebook, considerando que a disseminação de notícias falsas também era "sua responsabilidade".

Diante da pressão do governo, o WhatsApp anunciou que eliminará a possibilidade de enviar uma mensagem para várias conversas ao mesmo tempo e que tentará fazer que uma mesma mensagem seja enviada apenas cinco vezes, no máximo. A possibilidade de transferência rápida também será cancelada.

Índia é o primeiro mercado global do WhatsApp

Com mais de 200 milhões de usuários, a Índia é o primeiro mercado global do WhatsApp. Os indianos recebem diariamente um número gigantesco de mensagens e imagens, que costumam enviar para outros contatos.

Após a chegada dos smartphones e da Internet em telefones celulares em todas as regiões do país, os boatos se multiplicaram nas redes indianas com grande velocidade. Ainda pouco acostumada às novas tecnologias, parte da população indiana considera verídica a maioria das informações que circulam no WhatsApp.

"Acreditamos que essas mudanças, que continuaremos analisando, servirão para preservar o objetivo inicial do WhatsApp, que é um aplicativo destinado a mensagens privadas", declarou o grupo em um comunicado.

O último assassinato motivado por informação falsa que circulou pelo WhatsApp ocorreu na semana passada, quando uma multidão de 2 mil pessoas linchou um homem de 27 anos no estado de Karnataka, no sul, acreditando se tratar de um sequestrador de crianças. Antes de ser morto, o homem e seus amigos apenas ofereciam chocolate para algumas crianças.