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Asean China Mar da China Crise

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Obama sai do silêncio e pressiona Pequim a renunciar ao Mar da China

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O presidente Bacak Obama ainda quer cumprir a promessa de fechar Guantánamo. REUTERS/Jonathan Ernst

Nesta quinta-feira (8), em Vientiane, no Laos, o presidente norte-americano Barack Obama lembrou ao governo chinês a obrigação de aceitar a decisão da Corte de Haia, em julho passado, de que não tem base legal para exigir "direitos históricos" sobre a maior parte do mar da China Meridional.  


"A decisão da Corte Permanente de Arbitragem (CPA) de Haia deve ser respeitada", insistiu Obama, lembrando que a arbitragem esclareceu os direitos marítimos na região.

O Mar da China, rico em hidrocarbonetos, está no centro de um grave conflito regionalenvolvendo diversos países. Além da China, que reivindica a quase totalidade de suas águas, Filipinas, Japão, Vietnã, Malásia e Brunei também pretendem ter direitos sobre este mar estratégico, principal ligação entre os oceanos Pacífico e Índico. Além de seus recursos, o mar da China Meridional é atravessado por múltiplas rotas marítimas, vitais para o comércio mundial

Advertência de Obama à China é sinal forte

Até agora os Estados Unidos estavam agindo com reserva sobre o assunto, mas a inflexibilidade da China acabou levando Obama a se posicionar. O fato de o presidente lembrar Pequim da atitude a tomar é um símbolo forte que se alinha à maioria dos líderes reigonais: muitos estão revoltados com os chineses, que continuam a construir ilhas artificiais no Mar da China.

Quanto a Pequim, reafirmou sua posição inicial através da declaração do ministro das Relações Exteriores, Hua Chunying: "Não aceitamos nem reconhecemos o veredicto do tribunal e convido os Estados Unidos a terem uma atitude justa e objetiva", declarou.

Para a China, o controle destas águas representa um grande interesse econômico e militar. No campo diplomático, representa também um meio de enfraquecer a influência americana na região, reforçada pela participação de Obama na maioria das cúpulas regionais.

Participaram da cúpula dez países da Asean - Associação das nações do sudeste da Ásia (Brunei, Cambodja, Indonésia, Laos Malásia, Birmânia, Filipinas, Cingapura, Tailândia e Vietnã), além de grandes potências como Estados Unidos, China, Japão, Coreia do Sul, Austrália e Rússia.

Obama também se manifestou sobre outros temas globais: reprovou os tiros de mísseis da Coreia do Norte e as execuções sumárias nas Filipinas. E anunciou com satisfação que a Índia se comprometeu a ratificar o acordo mundial sobre o clima, fechado em Paris durante a Conferência da ONU para o Meio Ambiente.

Obama ainda espera fechar Guantánamo

Nesta última viagem asiática, Obama também se expressou sobre a sua promessa, até agora não cumprida, de fechar o centro de detenção de Guantánamo, o que vem tentando desde 2009. "Eu não estou preparado para admitir que pode continuar aberto, porque nós estamos trabalhando de modo diligente para continuar a reduzir o número de detentos", disse. E repetiu que a existência de Guantánamo é utilizada como "uma ferramenta de recrutamento pelas organizações terroristas".

Barack Obama quer fechar a prisão, situada em uma base naval em Cuba, aberta após os atentados de 11 de setembro de 2001 pelo presidente George W. Bush para agrupar todos os prisioneiros da "guerra contra o terrorismo". O Pentágono informou em agosto que ainda restavam 61 detentos no centro penitenciário.

Desde sua criação, 780 prisioneiros passaram por esta prisão, a maioria suspeitos de terrorismo capturados depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 e detidos sem julgamento durante anos, o que provocou muitas críticas internacionais.