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EUA e Coreia do Sul fazem exercícios militares em reação a míssil norte-coreano

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O líder norte-coreano Kim Jong-un depois do teste do míssil balístico intercontinental KCNA

Os Estados Unidos e a Coreia do Sul realizaram disparos de mísseis nesta quarta-feira (5) na península coreana durante um exercício conjunto que simulou um ataque de precisão contra os norte-coreanos. O teste é uma resposta ao teste de um míssil balístico intercontinental feito nesta terça-feira (4) pela Coreia do Norte.


Os dois mísseis, lançados simultaneamente, atingiram um alvo hipotético, "demonstrando a capacidade de bombardeio de precisão contra o quartel-general do inimigo em um momento de emergência". Segundo o presidente sul-coreano, Moon Jae-In, a "grave provocação exigia que reagíssemos com algo mais que uma mera declaração".

Na última terça-feira, a Coreia do Norte lançou com sucesso um míssil balístico intercontinental (ICBM) capaz de carregar uma "carga grande e pesada", de acordo com a agência oficial norte-coreana KCNA. Depois de supervisionar o lançamento pessoalmente, o líder norte-coreano, Kim Jong-Un, declarou que "os bastardos americanos não vão ficar muito contentes com esse presente enviado pelo aniversário de 4 de Julho".

O míssil Hwasong-14 é capaz de alcançar o Alasca. A Academia das Ciências de Defesa da Coreia do Norte afirmou que o míssil subiu a 2.802 quilômetros e percorreu uma distância de 933 quilômetros. O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, confirmou que a Coreia do Norte fez, pela primeira vez, um teste de míssil balístico intercontinental.

Em sua declaração, Tillerson qualificou o governo de Pyongyang de "um regime perigoso" e disse que Washington tomará "fortes medidas" no Conselho de Segurança da ONU para responsabilizar os norte-coreanos pelo teste. O tiro de um ICBM representa um marco para o regime comunista.

Trump pede ação da China

O presidente americano, Donald Trump pediu à China, principal aliado de Pyongyang, que "acabasse com esse absurdo de uma vez por todas". Em um comunicado conjunto, Rússia e China pediram que a Coreia do Norte instaurasse uma "moratória" sobre seus testes nucleares e lançamentos de mísseis e que os Estados Unidos cessem os exercícios militares na região, a fim de diminuir a tensão.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou o teste do míssil, e qualificou o teste de "mais uma violação descarada das resoluções do Conselho de Segurança e uma escalada perigosa da situação". Guterres acrescentou que a "liderança da Coreia do Norte deve evitar novas ações provocativas e cumprir plenamente suas obrigações internacionais".

A União Europeia disse que poderá impor novas sanções à Coreia do Norte, depois de ter ampliado no mês passado sua lista de dirigentes e entidades castigados por Bruxelas. O Conselho de Segurança deve se reunir nesta quarta-feira (5) para uma sessão de emergência, a portas fechadas, para analisar a situação.

Pyongyang já realizou cinco testes nucleares e dispõe de um pequeno arsenal atômico, tenta produzir mísseis intercontinentais (ICBM) para alcançar o território americano, uma medida contra o que define como ameaça de invasão dos 28.000 soldados que os Estados Unidos mantêm mobilizados na Coreia do Sul. Apesar das ameaças, a Coreia do Norte ainda não teria capacidade para miniaturizar uma ogiva nuclear e armar um míssil, assim como de sua capacidade para controlar a tecnologia de retorno à atmosfera, necessária para um míssil intercontinental.

(Com informações da AFP Brasil)